quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Gabriela - ainda se lembram?



No ano de 1975 era exibida em Portugal Gabriela, a primeira novela brasileira a passar em terras lusas. Produzida pela Rede Globo na ocasião dos seus dez anos de existência, obteve um sucesso imediato e estrondoso num meio habituado aos serôdios programas televisivos a preto e branco e estabeleceu um novo modo de ver e fazer televisão em Portugal. As interpretações de Sónia Braga, Paulo Gracindo, Roberto Bonfim (Chico Chicão), Eloísa Mafalda (Maria Machadão), Nívea Maria (Jerusa), Elizabeth Savalla, Fúlvio Stefanini (Tonico Bastos) e José Wilker, entre outros, eram muito admiradas pelo público português.
O aparecimento da telenovela ‘Gabriela’ em Portugal foi um acontecimento único, a vários níveis. Desde logo, porque marcou a estreia do formato telenovela diária nos ecrãs portugueses. Depois porque, sendo uma obra adaptada de um romance de Jorge Amado, garantia à partida uma qualidade e interesse acima da média (não o sabíamos nessa altura, mas viemos a confirmá-lo posteriormente: ‘Gabriela’ foi, se não a melhor, uma das melhores telenovelas produzidas no Brasil)
Portugal parava diariamente à hora da telenovela, o parlamento fechou mais cedo nos derradeiros dias da sua exibição, todos os programas se organizavam em redor do episódio do dia – não era alienação colectiva, era apenas o sedutor poder do espectáculo no seu melhor. A sociedade portuguesa transformou-se obviamente assistindo a esta obra: adoptou o sotaque brasileiro como segunda língua, adoptou as actrizes e os actores brasileiros como vedetas indispensáveis em qualquer festejo fraterno, adoptou usos e costumes, expressões idiomáticas, e começou a rebolar a bunda ao som do samba. Calmamente. Ao ritmo nacional...
Muita tinta já correu sobre este assunto e sobre o impacto na geração que então despontava.

(Fonte - Correio da Manhã)