quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Envelhecer activamente



A nossa vida pode ser comparada com uma rosa no jardim da existência. O bebé é um botão que desabrocha delicadamente.
Na medida em que se vai abrindo, descobre, pouco a pouco, o mundo que o envolve.Quanto mais se abre para a vida, mais descobertas realiza. Corajosa, a criança não vê obstáculos nas linhas da vida.
Tudo ela experimenta, apalpa e sente.
Perseverante, ela insiste nas tentativas sem se considerar derrotada pelo brinquedo que não funciona ou o boneco que teima em não ficar de pé.
Nenhum obstáculo a detém: um escadario que parece não ter fim, uma porta fechada, um portão trancado.
Estranhamente, à proporção que cresce, parece esquecer-se desse seu lado brilhante.
Nos primeiros anos escolares, pode mostrar-se fechada às novidades.
Mais tarde, já madura, exactamente como o botão totalmente aberto, os bloqueios fazem-se maiores. Os percalços são considerados intransponíveis.
Enquanto envelhece mais entraves encontra: minha memória não é boa, esqueço tudo, estou a ficar velho.
Desiste de aprender algo novo. Exactamente no período em que, de um modo geral, passa a ter mais de tempo livre devido à sua aposentação.
No entanto, esse tempo é gasto em ociosidade. E se há algo que realmente faz a pessoa envelhecer é a ociosidade, a inactividade, o não fazer nada.
Enquanto a rosa no jardim vai perdendo o viço e murchando, o homem permite-se também extinguir-se.
Mas tudo pode ser diferente. Nunca é tarde para aprender.
A não ser que a pessoa seja portadora de alguma doença que altere as funções mentais e/ou as intelectuais, é sempre tempo de aprender.
Absorver sabedoria dos livros, aprender a tocar um instrumento, exercitar-se numa nova língua. Tudo aquilo que não se teve tempo ou possibilidade de fazer antes, eis uma oportunidade maravilhosa.

Envelhecer com dignidade é ter sempre em mente um projecto de vida para o dia que ainda não nasceu.