quinta-feira, 31 de março de 2011

"Un bel di vedremo" de Madame Butterfly





Adoro esta ópera: Madame Butterfly!

terça-feira, 29 de março de 2011

Top Ten........









Em 9º Lugar a beber água.....


Em 3º Lugar no consumo de bebidas alcoólicas

quarta-feira, 23 de março de 2011

Quoi



La musique française...c'est unique!

segunda-feira, 21 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

13º Aniversário



Parabéns VIZELA. Parabéns VIZELENSES.

sexta-feira, 18 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Memórias

(Clicar na imagem)



Deu-me para ir rebuscar na gaveta das minhas memórias o tempo que vivi nas Termas de Vizela.
Foi no ano de 1990 que iniciei as minhas funções como médica. Nesse mesmo ano durante 4 meses, com inicio em Abril, fiz o Curso Pós-graduação de Hidrologia.
Durante 4 meses à 6ª feira (das 8h ás 9h e das 18h às 20H) e ao sábado (das 8h ás 13H) desloquei-me ao Porto ao H. de S. João, à Faculdade de Ciências e à Faculdade de Engenharia. Não foi tarefa fácil pois trabalhava no Centro de Saúde, nas Termas e no consultório. Tinha o meu filho 6 anos e a minha filha 2 anos. Acabei o curso em fim de Julho e com 15 valores no exame.
Desde o inicio fiquei cativada pelo tipo de serviço de consulta que prestava. Diferente do Centro de Saúde mas igual no sentimento "familiar" que se gerava entre mim e os aquistas (ou banhistas).
Os anos foram passando e quando a época balnear iniciava vinham-me ao pensamento "os meus doentes" do ano transacto. Como muitos eram pessoas com mais de 80 anos questionava-me se o seu estado de saúde os permitiria lá voltar. Por vezes, recebia a triste noticia que um ou outro tinha falecido, através das funcionárias dedicadas. Também elas criavam laços de amizade com os aquistas e preocupando-se com eles, conseguiam saber através de vizinhos como estariam de saúde.
Como já referi, a maioria eram idosos, e muitos deles a viver uma solidão atroz. Ali chegados, para além das suas queixas físicas, desabafavam a sua vida.
Vidas de muito trabalho, muita luta, muita abnegação, filhos criados (uns casados outros emigrados) e, por circunstâncias da própria vida, ficaram sós.
Dizia-me uma senhora com 84 anos, que vivia no Porto, senhora de trato fino, a face irradiava bondade de tal forma que quando a vi pela 1ª vez pensei que teria cerca de 67/68 anos, dizia-me ela: - Srª Drª eu sou voluntária no Hospital de St António. Vou visitar aqueles que não têm família para que não se sintam sós na doença e num local que não é o seu lar.
E lá me contava ela as suas visitas ao Hospital. Recostada na cadeira, ouvia deliciada as suas histórias e sentia-me privilegiada por ser meritória de tal partilha.
Lá passei 18 anos. Ano após ano fui acrescentando às minhas memórias e ao meu coração os meus utentes das Termas de Vizela. Criei laços com eles e com as funcionárias,destacando a Maria e a Ana.
Hoje olhando para o edifício, lendo o que se passa em volta de um bem, um bem que engloba não só a água, as lamas, as inalações, enfim os tratamentos mas também a oportunidade que muitos tinham de poder desabafar, de se sentirem ouvidos, de sentirem que de algum modo ali tinham uma família, sinto tristeza. A vida é tão curta! A vida é demasiadamente curta para se perder tempo com querelas quando existem valores mais importantes que dinheiro, orgulho e interesses particulares.
Como desejaria que as Termas de Vizela, Rainha de Portugal renascessem fazendo juz ao nome que por tanta boca andou e ainda anda.

Pus a imagem das Termas das Caldas da Felgueira (poderia ser de outra qualquer) para sensibilizar quem de direito, a transformar as nossas Termas nas maiores e melhores de Portugal como Vizela merece.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Muito Tempo Há que a Mentira se Tem Posto em Pés de Verdade




Muito Tempo Há que a Mentira se Tem Posto em Pés de Verdade

"Muito tempo há que a mentira se tem posto em pés de verdade, ficando a verdade sem pés e com dobradas forças a mentira; e é força que, sustentando-se em pés alheios, ande no mundo a mentira muito de cavalo; e se houve filósofo que com uma tocha numa mão buscava na luz do meio-dia um sábio, hoje, por mais que se multipliquem luzes às do Sol, não se descobrirá um afecto verdadeiro. Buscava-se então a ciência com uma vela, hoje pode-se buscar a verdade com a candeia na mão, que apenas se acha nos últimos paroxismos da vida."

Padre António Vieira, in "As Sete Propriedades da Alma"

terça-feira, 8 de março de 2011

Homenagem



Porque hoje é o dia em que se homenageia as mulheres que lutaram e morreram pelos seus direitos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Beleza



A beleza ideal está na simplicidade calma e serena.
(Johann Goethe)

sábado, 5 de março de 2011

Em homenagem a Ana Cristina

(9/03/1973 - 5/02/2011)

Ronda

Na dança dos dias
meus dedos bailaram...
Na dança dos dias
meus dedos contaram
contaram, bailando
cantigas sombrias...

Na dança dos dias
meus dedos cansaram...

Na dança dos meses
meus olhos choraram
Na dança dos meses
meus olhos secaram
secaram, chorando
por ti, quantas vezes!

Na dança dos meses
meus olhos cansaram...

Na dança do tempo,
quem não se cansou?!

Oh! dança dos dias
oh! dança dos meses
oh! dança do tempo
no tempo voando...

Dizei-me, dizei-me,
até quando? até quando?

Alda Lara (9/06/1930 - 31/01/1962, Poetisa Angolana)


Faz hoje 1 mês que Ana Cristina faleceu. Depois de uma luta contra a leucemia em que a esperança da cura se espelhava na face do seu filho Martim. Não encontrou dador 100% compatível. Como o tempo escasseava acabou por ser a sua irmã, apesar de ser só 50% compatível, a doar medula. A partir daí a esperança ganhou novas forças, forças que fizeram Ana Cristina lutar pela vida. Mas foi traída pela vida. Ana Cristina é o exemplo de que, mesmo perante a morte evidente, não deixou de ter esperança, fazendo a sua vida no dia a dia sem esse espectro. Ana Cristina não baixou os braços, não desistiu, a doença foi mais forte e matou-a. Mas o seu espírito lutador venceu, ficando na nossa memória para sempre.

Até um dia Ana.

quinta-feira, 3 de março de 2011

A formiguinha e a neve



Uma história da minha infância:


"Certa manhã de inverno, uma formiguinha saiu para o seu trabalho diário.
Já ia muito longe a procura de alimento, quando um floco de neve caiu e prendeu o seu pezinho.
Aflita, vendo que não podia se livrar da neve, iria assim morrer de fome e frio, voltou-se para o sol e disse:
- Ó sol, tu que és tão forte, derrete a neve que prende o meu pezinho!
E o sol indiferente nas alturas, falou:
- Mais forte do que eu, é o muro que me tapa.
Olhando, então para o muro, a formiguinha pediu:
- Ó muro, tu que és tão forte, que tapas o Sol que derrete a neve, desprende meu pezinho.
E o muro que nada vê e muito pouco fala, respondeu apenas:
- Mais forte do que eu, é o rato que me rói!
Voltando-se então, para um ratinho que passava apressado, a formiguinha suplicou:
- Ó rato, tu que és tão forte, que róis o muro que tapa o sol que derrete a neve, desprende meu pezinho.
Mas o rato, que também ia fugindo do frio, gritou de longe:
- Mais forte do que eu, é o gato que me come!
Já cansada, a formiguinha pediu ao gato:
- Ó gato, tu que és tão forte, que comes o rato, que rói o muro, que tapa o sol, que derrete a neve, desprende o meu pezinho.
E o gato sempre preguiçoso, disse bocejando:
- Mais forte do que eu, é o cão que me persegue! Aflita e chorosa, a pobre formiguinha pediu ao cão:
- Ó cão, tu que és tão forte, que persegues o gato, que come o rato, que rói o muro, que tapa o sol, que derrete a neve, desprende meu pezinho.
E o cão, que ia correndo atrás de uma raposa, respondeu sem parar:
- Mais forte do que eu, é o homem que me bate!
Já quase sem forças, sentindo o coração gelado de frio, a formiguinha implorou ao homem:
- Ó homem, tu que és tão forte, que bates no cão, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tapa o sol, que derrete a neve, desprende o meu pezinho.
E o homem, sempre preocupado com o seu trabalho, respondeu apenas:
- Mais forte do que eu, é a morte que me mata.
Trémula de medo, olhando para a morte que se aproximava, a pobre formiguinha, suplicou:
- Ó morte, tu que és tão forte, que matas o homem, que bate no cão, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tapa o sol, que derrete a neve, desprende meu pezinho.
E a morte impassível, respondeu:
- Mais forte do que eu, é Deus que me governa!
Quase morrendo, então a formiguinha rezou baixinho:
- Meu Deus, tu que és tão forte, que governas a morte, que mata o homem, que bate no cão, que persegue o gato, que come o rato, que rói o muro, que tapa o sol, que derrete a neve, desprende meu pezinho.
E Deus então, que ouve todas as preces, sorriu, estendeu a mão, por cima das montanhas e ordenou que viesse a primavera
No mesmo instante, no seu carro de veludo e ouro, a primavera desceu por sobre a Terra. Enchendo de flores os campos, enchendo de luz os caminhos.
E vendo a formiguinha quase morta, gelada pelo frio, tomou-a carinhosamente entre as mãos e levou-a para seu reino encantado.

Onde não há inverno, onde o sol brilha sempre, e onde os campos estão sempre cobertos de flores!"

História que contava aos meus filhos quando eram crianças. História que, enquanto a contava, me deixava embalar nas minhas recordações de infância. Hoje conto-a de vez em quando aos meus utentes pequeninos. A hora do conto na consulta de saúde infantil. O médico de família deve ser mais que médico, deve fazer parte das famílias que abraça na sua lista de utentes. Quando exerço a minha profissão tenho o privilégio de sentir a confiança dos utentes quando partilham as suas dores, as suas dúvidas, as suas alegrias e tristezas. Muitos saem mais aliviados por falarem...falar, ter com quem falar, como é tão importante para a saúde. E o médico tem que ser um bom ouvinte. Os utentes deixam-nos as suas palavras e levam as nossas, que devem ser sempre animadoras.