segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Se partiste, não sei....

"Se partiste, não sei.
Porque estás,
tanto quanto sempre estiveste.

Essa tua,
tão nossa, presença
enche de sombra a casa
como se criasse,
dentro de nós,
uma outra casa."
Mia Couto

Meu querido filho,

O tempo corre mas a um passo de lentidão. Por um lado, não te ter tem sido penoso pois o tempo sem ti é a lentidão sem significado do meu tempo como tua mãe mas, contado o tempo, já se passaram 32 meses desde que partiste.
Também como filha orfã vi o tempo fluir sem a minha mãe e tua querida avó Bia. Daqui a 3 dias faz 1 ano que ela partiu na esperança de te encontrar.
Sim, naquele fatídico dia a tua avó desistiu de viver. Ela que tanto se preocupava com todos e especialmente com os netos, não conseguiu encarar a tua morte física.
Desde aquele dia e até voltar a sua casa, a tua avó nunca mais veio a Vizela, mais precisamente à nossa casa. Faltavas tu.
Sim, ela desistiu de viver____ nunca mais ouviria a tua voz ao telefone após cada jogo o SLBenfica, nunca mais teria o mimo e carinho que era mútuo. Nunca mais veria o teu sorriso. Nunca mais te veria depois de tanta preocupação e de tanto pedir a Nª Senhora protecção para todos. A tua avó nunca mais foi a mesma e com o passar do tempo a sua desistência foi comprimindo a sua vontade de viver. Ela queria estar contigo.
Como eu também gostaria de estar contigo!
Mas sei que nunca aprovarias que eu desistisse pois, tal como eu, adoras a tua querida irmã.
Um dia, quando assim me estiver destinado, irei para junto de ti como gostaria: com o cheiro da terra molhada, com o gosto de chocolate na boca, com os sons dos poemas de Alda Lara e Mia Couto, com o toque da mão da minha querida filha e tua irmã na minha e com o olhar na nossa família.
E aí te encontrarei e aos meus pais Gabriel e Beatriz.
Amo-vos!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Dor incalculável.....................

Entrou pela porta a dor incalculável
partilhada, somada entre os dois
que um dia formaram três.
Sem nada fazer sentido,
querendo dar ao passado o tempo
que gastou a trabalhar para proporcionar,
ao fruto da soma dos dois, o futuro que já ficou atrás.
A dor incalculável falava e estava muda,
a vida já sem vida era um dos seus amores.
Falei à dor incalculável as palavras ditas pela minha dor
levando um conforto que nunca chega
a quem sente a dor incalculável!
Hoje, neles, senti duplamente a dor, a perda.
Quis ir ao passado buscar o tempo
que se esvaiu no dia em que chegou
a dor incalculável!