sexta-feira, 15 de julho de 2016

15 de Julho


Hoje fui mais cedo para o tratamento.
Ligaram-me às 17h a saber se podia ir a essa hora. Mas como estava a trabalhar e até às 20h fiquei de lá estar até às 21h e 15m.
Saí da USF fui até casa, lavei-me e engoli o jantarinho. Acompanhada da minha filha Sano desloquei-me para mais um tratamento. Chegamos à hora prevista. Na 1ª sala de espera estavam 3 pessoas para o "solário" e outras tantas como acompanhantes. Entreguei o cartão e entrei de seguida para a 2ª sala de espera. Lá encontrei-me com a senhora dos vómitos. Ela teve de parar os tratamentos por ter as plaquetas baixas. Já não a via há mais de 8 dias. Está mais animada, sem aquele ar carregado de sofrimento psíquico. Ela é emigrante e o marido é francês. Disse que optou por se tratar em Portugal com a ideia fixa que se morresse já ficaria na sua terra. Disse-lhe que existem doenças bem piores e que a morte faz parte da vida com todas as suas incertezas.
O importante é viver sem sofrimentos antecipados. Os sofrimentos antecipados coartam a capacidade da pessoa viver o presente. Ela sorriu e confessou que teve maus pensamnetos mas conforme os dias passavam e constatava que não era a única com problemas aceitou a doença e resolveu esforçar-se pensar no dia a dia. Um dia de cada vez!
Fomos chamadas para os vestiários. Enquanto esperei olhei para a porta que nos leva ao "solário" e pensei:
- abençoados Roentgen que descobriu os raios X em 1895 e Marie e Pierre Curie pela descoberta do rádio em 1898.
- abençoados os profissionais que estão ali até tão tarde e com uma simpatia deliciosa
- abençoada que sou por estar ali com esperança.
Mais um dia _____ menos um dia! Já só faltam 16 tratamentos.