terça-feira, 26 de julho de 2016

26 de Julho


Já só faltam 8 tratamentos!
Esta semana vou à noite no meu horário. Dias entro mais cedo, dias entro mais tarde para o "solário". Mas vou sem pressa. Aproveito os momentos de espera para, olhando ao redor da 1ª sala de espera, reflectir no sentido da vida. E ali vejo, diariamente, pessoas que não desistem, que falam no presente mas com confiança num futuro melhor. Claro que existem os casos mais graves que vêm de maca e ficam resguardados numa sala já para lá das portas que dão acesso ao corredor para os consultórios e "solário". Mas felizmente são poucos.
O tempo passa mas devemos fazer com que ele seja rentável. O tempo não espera e quando "acordamos" da letargia que é a rotina do dia a dia fica a pergunta: o que fiz no tempo para que a vida tivesse significado?
Desde há muito que tento fazer render o tempo. Quando andava na faculdade passava cerca de 6h em transportes públicos. Nunca consegui estudar em movimento. Decidi dedicar-me ao crochet e ao tricot. Fiz várias camisolas e casacos em tricot e toalhas em crochet. Na semana passada, em arrumações na minha casa, encontrei o meu material de crochet. Os meus tempos de faculdade vieram-me à memória.
Mais tarde e já em Vizela, tenho feito render o tempo (fora do horário de trabalho) em Associações.
Perante este desafio da vida e em duas salas de espera faço render o tempo ora reflectindo ora fazendo amizade com quem, como eu, tem a doença, o cancro, o malzinho. Um tempo de espera que é bem passado e que é sempre rentável!
Cada vez mais perto do fim e já com saudades. E digo saudades porque os tempos em que passei e passo por grande dificuldade ou infortúnios são os que mais me amadurecem. Como este corredor que me leva ao solário o tempo leva-me para mais perto de mim, ou seja, do meu espirito.
Mais um dia _____ menos um dia!