quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Em que estás a pensar?



Em que estás a pensar? Pergunta habitual do facebook.
Estou a pensar numa mulher que morreu devido ao cancro do útero. Chama-se Margarida. É conhecida por muitos devido ao seu marido e às causas a que se dedicou. Tem a minha idade.
Estou a pensar na, também conhecida, Sofia que tem o cancro da mama. Já acabou os tratamentos. Uma batalha vencida. Mas ainda não acabou a guerra.
Estou a pensar em todos os que têm uma doença oncológica.
Ter uma doença oncológica não significa uma sentença de morte. Nascemos com a sentença de morte, não sabemos nem quando e nem como.
Mas apesar de já ter feito radioterapia, terei que fazer "quimioterapia" oral (Tamoxifeno e Anastrozol) mais a vigilância apertada, não vá alguma "celulazinha malandra" ter-se escapado para outras paragens do meu corpo, durante 5 anos. Depois desses 5 anos passados poderei (poderemos) dizer com mais convicção que a doença, o cancro, o malzinho foi banido. Pelo menos este. Porque terei (teremos) sempre uma probabilidade de arranjar outro tipo de cancro, doença, malzinho. (vade retro!)
E porque foi notificado um aumento da incidência de cancro do endométrio (útero) e de sarcoma uterino (tumor mesodérmico misto maligno, na maioria das vezes), em associação com o tratamento com Tamoxifeno. nada como retirar o dito útero e por acréscimo os ovários, que só aqui estão a ocupar espaço, pois a sua funcionalidade foi-se com a menopausa. É o que vou fazer mais lá à frente.
Mas os meus dias são vividos um de cada vez, sem a pressão que muitos sentem de um futuro incerto.
Prevenção será sempre o ideal para qualquer doença. Depois segue-se a detecção precoce/rastreio com os exames periódicos.
Por isso a importância do Médico de Família, quem nos pode orientar antes que a doença, o cancro, o malzinho tome a dianteira.
E havendo suspeita seguir para consulta de especialidade e passar por tudo que muitos já passamos.
A minha mãe teve o cancro da mama aos 62 anos (já lá vão 26 anos). Foi operada, fez radioterapia e venceu o cancro. Não venceu a morte, porque essa ninguém vence! Mas viveu quase 86 anos. Cheios de história, de alegrias, de força e garra, muitas voltas retorcidas da vida e de muito sofrimento. Sofrimento com a morte prematura da minha irmã mais velha (como sinto o seu sofrimento) e do seu neto e meu filho até ao dia que partiu para junto deles.
Ninguém vence a morte mas pode vencer a VIDA vivendo-a com o coração aberto porque há sempre alguém que necessita da nossa ajuda.
Mais que existir é fundamental VIVER!