segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Ser Médica de Família __________


Assim entendo a Medicina Geral e Familiar _____

A minha utente F. entrou no consultório e depois de ser convidada a sentar-se não conseguiu articular uma palavra. As lágrimas escorreram-lhe pela cara num choro convulsivo. Senti o seu sofrimento como se meu tratasse, pois foi um momento muito intenso. Esperei, calada, que as lágrimas e o choro dessem lugar às palavras.
- Desculpe srª doutora - disse a minha utente F,
- Não necessita de pedir desculpa, nem só as palavras nos transmitem o sofrimento dos doentes.
- Eu já não aguento mais, apetecia-me entrar no carro e esbarrar-me contra um muro e ir para o hospital para ter descanso.
Fui puxando, devagarinho, o fio à meada. Problemas familiares.
Disse-lhe que a iria medicar para ajudar a ultrapassar os problemas mas que teria de tomar decisões pois os problemas continuariam a massacrá-la.
A conversa foi desenrolando até que ela olhou para o relógio e disse:
- Já estou aqui há muito tempo. A srª doutrora tem outros doentes à espera.
- A senhora está na sua vez e a consulta acaba quando eu achar que já sai daqui melhor do que entrou e com a sua medicação.
Mais uns minutos de conversa onde eu, mais ouvinte, entrevia para a acalmar. No fim olhei para o computador, fiz os registos e passei a receita. Marquei nova consulta para mais uns dedos de conversa e vigiar o seu estado.
A minha utente F, saiu mais aliviada e o tempo da consulta serve, não para ser cronometrado, mas para ouvir, aconselhar e tratar o meu utente.